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Maior fraude da história das Loterias, que desviou prêmio de R$ 73 milhões da Lotofácil, é julgada no Ceará

Falso ganhador apresentou documento adulterado e conseguiu sacar o prêmio indevidamente em 2013. A Justiça Federal cearense julga 14 réus que teriam participado do esquema.

Rayane Araújo
Por: Rayane Araújo Fonte: Diário do Nordeste
22/06/2026 às 09h13
Maior fraude da história das Loterias, que desviou prêmio de R$ 73 milhões da Lotofácil, é julgada no Ceará

Considerada a maior fraude da história das Loterias da Caixa Econômica Federal, o golpe que desviou R$ 73 milhões de um sorteio da Lotofácil em 2013 é objeto de um julgamento na Justiça Federal do Ceará, com 14 réus. O caso já teve outros desdobramentos e seus primeiros condenados, em outro estado, e, agora, o núcleo de pessoas que teriam recebido o dinheiro ilícito e tentaram ocultá-lo enfrenta a ação federal. 

 

O caso atualmente encontra-se na fase em que as defesas dos réus respondem às acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF), que se valeu de investigações da Polícia Federal (PF) e outras diligências. Até a publicação desta matéria, manifestações judiciais do último 12 de junho davam conta de que ainda faltavam sete respostas de réus. Algumas teses defensivas já foram refutadas pelo MPF e pelo magistrado responsável pelo caso, e o processo seguirá seu curso. 

 

O núcleo que será julgado foi apontado, por meio de colaboração premiada, pelo ex-gerente da Caixa que usou suas senhas para cometer o desvio do capital. 

 

Apesar de o início da fraude ter sido no interior de Tocantins, a 32ª Vara Federal do Ceará, localizada em Fortaleza, julga parte do caso, pois, segundo a acusação, houve uma série de atos de lavagem de dinheiro no território cearense, em especial na Capital. Segundo as diligências, foram identificados 26 atos ilícitos em Fortaleza, três em Maranguape e 1 em Juazeiro do Norte.

 

Dois réus, Ana Cláudia Gomes Arraes e Isaac Wanderson de Pontes Xavier, sobrinho dela, moram no Ceará e são acusados de fazer movimentações com o intuito de esconder o dinheiro do prêmio da Lotofácil. Documentos obtidos pelo Diário do Nordeste apontam que Cláudia recebeu R$ 750 mil e "pulverizou" o valor entre aplicações financeiras e transferências para familiares.

 

Ana Cláudia foi casada com Márcio Xavier de Lima, um dos principais atores do esquema criminoso, e que já foi condenado em 2021 por se passar pelo ganhador do concurso que premiaria R$ 73.094.415,90.

 

Em 9 de dezembro de 2013, a mulher recebeu quantia elevada da conta do ex-marido e informou que seria proveniente da venda de um imóvel na Praia de Majorlândia, em Aracati, no litoral cearense. No mesmo dia, ela transferiu R$ 520 mil para a conta poupança do sobrinho e R$ 5 mil para a conta de seu pai.

 

Nos dias seguintes, a ré fez a aplicação financeira de R$ 162.412 e de R$ 156.411, valores que capturaram a atenção das autoridades.

 

O MPF descreveu que Ana "realizou outras transferências menores para seu pai e outra pessoa, além de duas grandes aplicações financeiras que totalizaram mais de R$ 318.000,00, pulverizando o restante do dinheiro".

 

Além das pessoas com residência no Ceará, os réus restantes são: 

    • Indira Ribeiro Moura

    • Jacir Alceu Fermino

    • João Evangelista Carvalho de Barros

    • Alan Fialho Gandra Filho

    • Robert Andre Lessa Alves

    • Wagner Martins Parreao

    • Marco Aurelio Tavares de Souza

    • Jose Faustino dos Reis Junior

    • Wilson Coqueiro Santiago Filho

    • Felipe Daniel Rodrigues

    • Antenor Pinheiro Queiroz Filho

    • Obdalas Almeida Tavares

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