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Agricultor que achou petróleo no Ceará avalia vender gado por falta de água: 'terreno parado'

Seu Sidrônio e a família não arriscam novas perfurações na propriedade em busca de água por medo de contaminação.

Rayane Araújo
Por: Rayane Araújo Fonte: Diário do Nordeste
11/06/2026 às 09h23 Atualizada em 11/06/2026 às 09h29
Agricultor que achou petróleo no Ceará avalia vender gado por falta de água: 'terreno parado'

Convivendo com a escassez de água e de orientações oficiais desde a descoberta de petróleo no subsolo da propriedade em Tabuleiro do Norte, o agricultor Sidrônio Moreira, de 63 anos, cogita vender os únicos cinco novilhos restantes de sua criação.

 

A informação foi relatada pelo filho do produtor, Sidnei Moreira. A família reside no Sítio Santo Estevão, a cerca de 35 km do centro do município, e encontrou a substância após perfurar dois poços artesianos em busca de água para irrigar a plantação e alimentar os animais da propriedade. 

 

No entanto, em novembro de 2024, veio a surpresa: em vez de água, do chão brotou um líquido escuro e com odor semelhante a óleo e asfalto fresco. Já no último dia 19, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) concluiu que a substância encontrada é "petróleo cru". 

 

Atualmente, seu Sidrônio, a esposa, Maria Luciene, e o filho Sidnei, que residem no sítio, não arriscam novas perfurações para buscar água por medo de contaminação e pela falta de clareza nas orientações das autoridades oficiais sobre como proceder com o terreno após a descoberta. 

 

Questionada sobre o caso, a ANP respondeu que a responsabilidade de avaliar o terreno e indicar medidas de segurança seria da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Estado do Ceará (Semace).  

 

A pasta, por sua vez, informou que, na manhã desta quinta-feira (11), ocorrerá uma reunião para definir os próximos passos relacionados ao caso.

 

Sem água, agricultor teme pausa das chuvas

Na falta de água, a família mantém apenas uma pequena horta sem irrigação e uma criação de 20 cabras e cinco novilhos, que ameaça ser reduzida caso a situação se prolongue por mais tempo. No momento, a única renda para os três vem de um salário de aposentadoria (R$ 1.621).

 

Após a repercussão do caso, uma nova adutora foi inaugurada e passou a abastecer o sítio. No entanto, o valor ainda desconhecido do uso desse recurso causa receio na família, que mantém o consumo da água restrito às necessidades básicas. 

 

"Se não resolverem logo, teremos de vender o gado porque, quando chega o período sem chuva, ele emagrece muito e fica inviável. Sabemos que uma propriedade rural consome muita água. Veremos quando chegar a fatura. Quando chegar o período sem chuva, não terá condição", teme Sidnei.

 

Na época da perfuração dos dois poços, seu Sidrônio precisou fazer um empréstimo bancário de R$ 15 mil para contratar um serviço de perfuração, e a esposa, Maria Luciene, alimentada pela esperança do recurso, fez um empréstimo de R$ 10 mil pouco tempo antes, com o objetivo de renovar o rebanho. A dívida ainda não foi paga. 

 

“O terreno está parado. Se eles ao menos viessem dizer onde é seguro perfurar, já ajudaria muito. Em 48 hectares, não é possível que não haja água. Estávamos acreditando que eles fossem agilizar. A única coisa que podemos fazer é aguardar”, lamenta Sidnei. 

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