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Ceará desperdiça mais de 800 toneladas de caju e deixa de faturar milhões todos os anos

O Ceará é o maior produtor de castanha de caju do Brasil. No entanto, durante esse processo, cerca de 90% dos pedúnculos produzidos, a parte carnuda da fruta, são desperdiçados no Estado

Rayane Araújo
Por: Rayane Araújo Fonte: Diário do Nordeste
16/02/2026 às 10h27
Ceará desperdiça mais de 800 toneladas de caju e deixa de faturar milhões todos os anos

O Ceará é o maior produtor de castanha de caju do Brasil. No entanto, durante esse processo, cerca de 90% dos pedúnculos produzidos, a parte carnuda da fruta, são desperdiçados no Estado. Só em 2024, aproximadamente 825 toneladas (T) de pseudofruto (pedúnculo) foram perdidas no Ceará. A informação é do chefe-geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Agroindústria Tropical, Gustavo Saavedra. 

 

Agricultores e pesquisadores cearenses já provaram que o não aproveitamento integral do caju está longe de ser causado pela falta do que fazer com a fruta. Pelo contrário: além de ser usada em doces, refrigerantes, cajuínas e compotas, a “carne” da fruta tem ganhado protagonismo em pratos veganos, como alternativa para recheios de origem animal. 

 

Tanto a castanha quanto o pedúnculo já extrapolaram, inclusive, a bolha gastronômica, sendo usados como matéria-prima para cosméticos e na siderurgia. 

 

Além disso, se o caju fosse integralmente aproveitado de maneira industrial no Estado, o valor arrecadado com a produção da fruta dobraria. É o que defende o presidente do Conselho Regional de Economia Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida.

 

Nesse cenário, o questionamento fica claro: se da ponta da castanha até a base do pedúnculo tudo pode ser aproveitado, por que, então, o Ceará insiste em limitar economicamente um dos maiores tesouros naturais do Estado?  

 

Isso significaria uma renda de aproximadamente R$ 9,4 milhões, uma vez que o valor da produção arrecadada no Estado em 2024 foi cerca de R$ 4,7 milhões. Os dados são da pesquisa Produção Agrícola Municipal (PAM). 

 

Entramos em contato com abSecretaria do Desenvolvimento Agrário do Ceará (SDA) para esclarecer o contexto de desperdício no uso do caju no Estado, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. Em caso de novidades, o texto será atualizado. 

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